Sustentabilidade na hospedagem: Veja como os jovens estão mudando o setor
A sustentabilidade deixou de ser um diferencial decorativo no turismo e virou critério de decisão, conforme frisa Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda. Assim, quem reserva um quarto compara práticas ambientais com o mesmo cuidado com que avalia preço, localização e nota nas plataformas. Inclusive, entre os jovens, essa postura aparece com mais força e altera a forma como hotéis e pousadas se apresentam ao mercado.
Portanto, se você administra um hotel, uma pousada ou apenas escolhe onde se hospedar, entender essa virada evita decisões baseadas em suposições antigas. Com isso em mente, a seguir, abordaremos as razões que explicam esse movimento, quais cobranças ele gera e como responder a elas com coerência.
Por que os jovens tratam a sustentabilidade como critério de reserva?
A geração que hoje mais viaja cresceu ouvindo sobre crise climática, escassez de água e consumo consciente. Por isso, transfere esses valores para a estadia e enxerga o quarto de hotel como extensão das escolhas diárias. Reservar uma hospedagem alinhada a esses princípios reduz a sensação de incoerência e reforça a identidade de quem viaja.
Além disso, esse público pesquisa bastante antes de comprar, ressalta Gianmarco Marchetti. Lê avaliações, acompanha perfis nas redes sociais e compara o discurso do estabelecimento com o relato de outros viajantes. Aliás, a reputação ambiental circula com a mesma velocidade de qualquer comentário sobre atendimento, e um deslize pesa tanto quanto uma falha no café da manhã.
Quais exigências ambientais aparecem na escolha da hospedagem?
As cobranças variam conforme o perfil do viajante, porém alguns pontos se repetem com regularidade nas conversas e nas avaliações online. Segundo o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, o hóspede jovem quer evidências concretas e dispensa slogans bem escritos. Isto posto, entre os itens que mais pesam na comparação entre duas opções de hospedagem, estão:
- Energia: fontes renováveis, sensores de presença e iluminação eficiente nas áreas comuns e nos quartos;
- Água: reaproveitamento, aeradores nas torneiras e opção real de não trocar toalhas todos os dias;
- Resíduos: coleta seletiva visível, fim dos plásticos descartáveis e compostagem das sobras da cozinha;
- Alimentação: cardápio com produtos locais e sazonais, além de alternativas vegetais no café da manhã;
- Comunidade: contratação de moradores e parceria com produtores da região.

Esses pontos compartilham uma característica: todos se podem verificar. O viajante mais novo tolera imperfeições, desde que o estabelecimento mostre o que já faz e o que pretende melhorar. Assim, quem comunica metas claras e admite limitações conquista mais confiança do que quem anuncia perfeição e não consegue comprová-la.
Como evitar o greenwashing e ganhar credibilidade?
De acordo com Gianmarco Marchetti, o greenwashing é a prática de exagerar ou inventar benefícios ambientais para atrair clientes. O público jovem reconhece esse recurso com facilidade e reage com críticas públicas. Por isso, o caminho mais seguro consiste em medir resultados, publicar números simples e expor processos, como o consumo de água por hóspede ou o percentual de resíduos reciclados a cada mês.
Certificações reconhecidas ajudam, contudo não substituem a rotina. A equipe precisa conhecer as práticas e explicá-las com naturalidade na recepção, sem decorar frases de campanha. Pois, a credibilidade nasce quando o discurso do site coincide com a experiência no quarto, no restaurante e no atendimento.
A sustentabilidade influencia o preço e a fidelização?
Muitos viajantes jovens trabalham com orçamento apertado e não pagam qualquer valor a mais por um selo verde. Eles esperam tarifas justas e enxergam a eficiência como argumento de venda. Nesse contexto, economizar energia e água reduz custos operacionais, o que permite manter preços competitivos e ainda investir em melhorias visíveis.
Aliás, a fidelização segue a mesma lógica, como menciona o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti. Quem encontra coerência entre valores e serviço tende a recomendar o local em redes sociais, grupos de amigos e comunidades de viagem. Esse boca a boca digital custa menos que muitas campanhas pagas e chega a um público que desconfia de anúncios tradicionais.
A sustentabilidade como a nova base de confiança na hospedagem
Em última análise, o conjunto desses fatores indica que as exigências dos jovens não representam modismo passageiro, e sim uma revisão profunda do que significa receber bem. A hospedagem que integra práticas ambientais à operação, comunica resultados com franqueza e ouve o hóspede constrói vantagem duradoura. Desse modo, a confiança se tornou o principal ativo do setor.



