Como valores familiares se tornam cultura empresarial?
Alfredo Moreira Filho, fundador do Grupo Valore+ com formação em uma família fundamentada em valores éticos e morais, representa um perfil de gestor em que a cultura organizacional que pratica hoje guarda conexão direta com os princípios que foram transmitidos muito antes de qualquer cargo profissional ou formação acadêmica.
Valores não se transmitem por declaração
A forma mais comum de tentar transmitir valores dentro de uma organização é declará-los: em painéis nas paredes, em códigos de conduta, em reuniões de kick-off de novos projetos. Mas valores não funcionam dessa forma. A declaração cria consciência sobre o que deveria ser feito. O exemplo repetido ao longo do tempo é o que cria o comportamento real.
Uma família que pratica honestidade em situações em que mentir seria mais conveniente, que trata com respeito pessoas que não têm poder de retribuição e que cumpre compromissos mesmo quando isso tem custo real, não precisa ensinar esses valores formalmente. As crianças os absorvem por observação e os carregam para todos os ambientes que habitam ao longo da vida, incluindo os profissionais.
O que o ambiente doméstico instala que o ambiente corporativo não consegue?
Ambientes corporativos tentam moldar comportamento por meio de incentivos, controles e treinamentos. Funcionam razoavelmente bem para comportamentos que podem ser monitorados e mensurados. Mas há uma categoria de comportamento que resiste a esse tipo de moldagem: a que acontece quando ninguém está observando, quando a escolha correta tem custo real para quem a faz e quando não há recompensa imediata prevista para agir de acordo com os valores declarados.
Alfredo Moreira Filho, em projetos de cultura organizacional conduzidos pelo Grupo Valore+, parte da premissa de que a cultura de uma empresa não começa no primeiro dia de trabalho do colaborador. Começa muito antes, na família e nos ambientes que formaram cada pessoa antes de ela entrar no mercado de trabalho.
Por que líderes formados em famílias com valores sólidos gerenciam diferente?
Um gestor formado em ambiente familiar, onde ética não era slogan, mas prática cotidiana, tende a tomar decisões de forma diferente em situações de pressão. Não porque tenha mais força de vontade ou mais comprometimento formal com algum código de conduta, mas porque o comportamento ético foi internalizado de forma suficientemente profunda para que a alternativa não ética sequer seja considerada como opção.
Gestores nessa situação raramente precisam deliberar sobre se devem ou não honrar um compromisso difícil, tratar com respeito alguém em posição inferior ou comunicar uma má notícia de forma honesta. Essas escolhas já foram feitas antes, repetidamente, em contextos muito menos formais do que qualquer reunião corporativa.
A cultura organizacional como extensão da cultura familiar
Quando uma empresa é fundada ou liderada por alguém com valores sólidos formados em ambiente familiar consistente, a cultura organizacional que emerge tende a refletir esses valores de forma que programas de cultura desenhados por consultoria raramente conseguem replicar, porque o modelo é o próprio comportamento do líder, não um conjunto de diretrizes elaboradas para descrever como ele deveria se comportar.
Alfredo Moreira Filho, ao construir o Grupo Valore+ sobre princípios de gestão que incluem ética e rigor como elementos centrais, projeta em escala empresarial uma formação que começa muito antes de qualquer decisão de negócios, nos valores que uma família transmite pelo exemplo ao longo de anos de convivência cotidiana.
O que se perde quando essa conexão não existe?
Empresas cujos líderes não têm essa base formada em ambiente familiar consistente precisam construir cultura de forma mais deliberada e, frequentemente, com mais custo. A ausência de um modelo vivido cria a necessidade de substituí-lo por sistemas, controles e treinamentos que tentam produzir o comportamento que o exemplo natural produziria de forma orgânica.
O problema não é que esses sistemas não funcionem. É que funcionam apenas enquanto os controles estão ativos, enquanto os incentivos estão alinhados e enquanto o custo de não seguir as regras é maior do que o custo de segui-las, condição frágil que qualquer crise ou mudança de contexto pode desfazer rapidamente. Alfredo Moreira Filho, com trajetória que une formação familiar sólida e décadas de experiência em gestão empresarial, representa o modelo oposto: valores que resistem à pressão porque foram formados antes dela.



