Tecnologia

Crianças usam inteligência artificial três vezes mais que adultos, alerta UNICEF

Levantamento global aponta uso intenso de IA por menores e cobra regras mais claras de proteção para essa faixa etária.

Para pais que já percebem os filhos conversando com assistentes de voz, testando chatbots ou brincando com brinquedos conectados à internet, um novo levantamento da UNICEF dá números a essa impressão. A organização constatou que crianças e adolescentes utilizam ferramentas de inteligência artificial com frequência muito superior à dos adultos, o que reforça a urgência de discutir limites e proteções específicas para essa faixa etária.

A pesquisa reacende um debate que já preocupa famílias e especialistas em desenvolvimento infantil: até que ponto o uso precoce e intenso de IA é seguro, e o que pode ser feito para reduzir riscos sem simplesmente afastar as crianças da tecnologia que já faz parte do cotidiano delas.

O que mostra o levantamento da UNICEF

O estudo foi realizado em dez países, incluindo o Brasil, além de Armênia, Colômbia, República Dominicana, Jordânia, México, Montenegro, Macedônia do Norte, Paquistão e Sérvia. Em cada localidade, foram entrevistadas aproximadamente mil crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos que utilizam a internet, além de cerca de mil pais ou responsáveis, em pesquisas nacionais conduzidas em parceria com institutos locais. A amplitude da amostra ajuda a dar consistência ao dado central do relatório: o uso de ferramentas de IA por menores supera em muito o registrado entre adultos, o que sugere uma familiaridade precoce com essas tecnologias, muitas vezes sem supervisão adequada. Vatican NewsVatican News

Diante desse cenário, a organização listou uma série de prioridades para governos, empresas e famílias. Entre elas estão o investimento em pesquisas sobre os impactos da tecnologia na infância, o fortalecimento da legislação para combater abusos e exploração facilitados pela inteligência artificial, a criação de sistemas mais seguros e transparentes, a promoção da alfabetização em IA para crianças e famílias e a ampliação da infraestrutura digital para reduzir desigualdades de acesso. A UNICEF reforça que as decisões tomadas agora terão efeito duradouro. Segundo a organização, as escolhas feitas hoje em relação à inteligência artificial vão determinar, nas próximas décadas, a segurança, a privacidade e o bem-estar das crianças, além da igualdade de acesso a oportunidades. Vatican NewsVatican News

Por que isso preocupa quem cuida de bebês e crianças pequenas

O alerta da UNICEF conversa diretamente com o que já vinha sendo observado em produtos voltados para a primeira infância. Pesquisas recentes apontaram respostas inadequadas e coleta de dados de voz em brinquedos e pelúcias conectados à inteligência artificial, criados especificamente para crianças pequenas, o que já havia levantado preocupação entre especialistas e famílias no Brasil. Esse tipo de achado mostra que o risco não está apenas no uso de chatbots por adolescentes, mas também em dispositivos pensados para bebês e crianças que ainda não conseguem avaliar criticamente o que ouvem ou compartilham.

Some-se a isso uma mudança de comportamento já percebida por profissionais que atendem famílias. A psicóloga infantil Robyn Koslowitz notou que, antes, pacientes chegavam às consultas com diagnósticos tirados de buscas no Google, e agora citam o ChatGPT como fonte, um movimento que reflete o quanto ferramentas de IA já substituem consultas tradicionais na rotina de muitos pais. Um estudo de 2024 do Kansas Life Span Institute mostrou que muitos pais confiam mais nas respostas do ChatGPT do que na orientação de profissionais de saúde, o que preocupa pediatras e psicólogos justamente pela falta de verificação por trás dessas respostas. Fast Company BrasilFast Company Brasil

O que pais e responsáveis podem fazer desde já

Diante desse cenário, orientar o uso da tecnologia em casa se torna tão importante quanto discutir políticas públicas em nível global. Especialistas costumam recomendar que qualquer resposta obtida por meio de assistentes de IA sobre saúde do bebê ou da criança seja sempre confirmada com o pediatra ou outro profissional de confiança, em vez de tratada como diagnóstico definitivo. Isso vale tanto para dúvidas sobre desenvolvimento infantil quanto para orientações sobre alimentação, sono ou comportamento.

Também é recomendável observar de perto os brinquedos e dispositivos conectados usados por crianças pequenas, verificando se coletam voz, imagem ou outros dados sensíveis, e limitando o acesso quando não houver clareza sobre como essas informações são armazenadas. Para as famílias que já convivem com a Geração Alpha e recebem agora os primeiros bebês da Geração Beta, a mediação adulta constante segue sendo o principal recurso disponível para equilibrar os benefícios da tecnologia com os riscos que ainda estão sendo mapeados por pesquisas como a da UNICEF. Mais detalhes do levantamento estão disponíveis em: https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2026-06/inteligencia-artificial-alerta-unicef-criancas.html

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